Qual a sua relação com o Tempo?

É frequente ouvirmos queixas das pessoas sobre a sua relação com o tempo: uns confessam que não têm tempo para nada, outros reconhecem que têm falta de tempo e outros ainda que o tempo lhes escapa a cada momento.

Não é de estranhar que isso aconteça, embora seja perturbador, pois o tempo é de fato um bem escasso, já que se traduz num movimento contínuo, numa passagem permanente, numa transição ininterrupta.

A cada segundo o que era deixou de ser.

Por isso, sentimos que o presente nos foge a cada instante. Em regra, aquilo a que chamamos presente é apenas um conjunto de momentos sucessivos recentemente passados, cuja utilização e cujo gozo ainda recordamos com intensidade e em pormenor, como se ainda fossem efetivamente presentes.

Por outro lado, o futuro, que há-de ser presente, é uma incógnita, algo que desconhecemos e não controlamos. Por isso, o futuro é sobretudo incerteza e indefinição, uma mera probabilidade. Podemos prever e programar, com maior ou menor rigor, mas não temos a certeza de que as coisas serão exatamente como planejamos e desejamos.

É o passado que define a nossa vida, delimita os contornos da nossa personalidade, nas suas variadas facetas, define a nossa identidade pessoal, em suma, consolida o nosso eu.

É esta dificuldade de relacionamento do homem com o tempo que constitui o seu drama existencial. Todos nós sentimos intimamente o apelo a que o tempo não acabe, para que a nossa personalidade possa subsistir.